Pronunciamiento del Núcleo Disciplinario Literatura, Imaginarios, Estética y Cultura

Pronunciamiento del Núcleo Disciplinario Literatura, Imaginarios, Estética y Cultura ante la situación de la ciencia y la educación universitaria pública en Argentina y Brasil

El Núcleo Disciplinario Literatura, Imaginarios, Estética y Cultura de la Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM) manifiesta su profunda preocupación ante los constantes ataques a la democracia y a las universidades públicas en Argentina y Brasil.

​A fines de 2023 manifestamos nuestra preocupación ante los proyectos de Javier Milei, entonces recientemente electo al frente del gobierno nacional argentino, orientados a un desfinanciamiento programado y constante de la ciencia y la educación pública de nivel superior. Esta política se concretó en el congelamiento y la retención de partidas presupuestarias destinadas al funcionamiento básico de las universidades nacionales y de los institutos pertenecientes al CONICET. A este escenario se sumó la drástica disminución de becas de investigación, la parálisis en las altas e ingresos a la Carrera del Investigador Científico tras concursos públicos ya sustanciados, así como despidos y cesantías de personal técnico, administrativo y de carrera en los organismos de ciencia y tecnología. Hoy esta situación se ve agudizada por el sistemático incumplimiento de la Ley de Financiamiento Universitario por parte del Poder Ejecutivo Nacional, norma ratificada y exigida por el Congreso Nacional para garantizar la actualización salarial docente, nodocente y becas frente a la inflación y el sostenimiento operativo de las casas de altos estudios. Al mismo tiempo, se incrementa la criminalización de la protesta social y la persecución a la comunidad académica y estudiantil que exige el cumplimiento efectivo de dicha ley. Sin desarrollo científico soberano, sin tecnología, sin educación pública y sin profesionales de excelencia, no existen posibilidades reales de consolidar un país con equidad, autonomía y justicia social.

​En el contexto de Brasil, los ataques a la universidad pública como espacio productor de ciencia, tecnología y saberes críticos adquieren una gravedad alarmante. Esta ofensiva se inscribe en un proceso histórico reciente de asfixia financiera, evidenciado en el período 2019-2022 con recortes presupuestarios que llegaron a reducir en más del 30% los recursos discrecionales para gastos de funcionamiento e investigación en las universidades federales, junto con la paralización de convocatorias de agencias de fomento como la CAPES y el CNPq. Esta vulnerabilidad se reaviva mediante propuestas legislativas orientadas a fragmentar la autonomía universitaria —como la iniciativa de transferir la gestión de las instituciones de educación superior del Ministerio de Educación al Ministerio de Ciencia y Tecnología—, así como a través de la violencia física y patrimonial directa. Casos como los incendios intencionales registrados en dependencias de las universidades federales de Pernambuco (UFPE) y Campina Grande (UFCG), alentados y celebrados por sectores de la extrema derecha en redes sociales, reflejan un clima de hostigamiento sistemático hacia la comunidad académica. Esta situación resulta aún más alarmante dado el peso político que estas bancadas conservadoras conservan en la Cámara de Diputados y en el Senado, sumado a sus aspiraciones de retomar el Poder Ejecutivo Federal.

​Brasil no puede someterse a nuevos ciclos de asfixia de la educación pública mediante sucesivos recortes presupuestarios y el desmantelamiento de áreas del conocimiento arbitrariamente catalogadas como «inútiles» o «irrelevantes», particularmente las Ciencias Humanas, Sociales y las Artes, pilares insustituibles del pensamiento crítico y la soberanía regional.

Pronunciamento do Núcleo Disciplinar Literatura, Imaginários, Estética e Cultura diante da situação da ciência e da educação universitária pública na Argentina e no Brasil

O Núcleo Disciplinar Literatura, Imaginários, Estética e Cultura da Associação de Universidades Grupo Montevidéu (AUGM) manifesta sua profunda preocupação diante dos constantes ataques à democracia e às universidades públicas na Argentina e no Brasil.

No final de 2023, manifestamos nossa preocupação com os projetos de Javier Milei, então recém-eleito à frente do governo nacional argentino, voltados ao desfinanciamento programado e constante da ciência e da educação pública de nível superior. Essa política se concretizou no congelamento e na retenção de dotações orçamentárias destinadas ao funcionamento básico das universidades nacionais e dos institutos pertencentes ao CONICET. A esse cenário somaram-se a drástica diminuição de bolsas de pesquisa, a paralisação das nomeações e ingressos na Carreira de Pesquisador Científico após concursos públicos já concluídos, bem como demissões e exonerações de pessoal técnico, administrativo e de carreira nos órgãos de ciência e tecnologia. Hoje, essa situação se agrava pelo sistemático descumprimento da Lei de Financiamento Universitário por parte do Poder Executivo Nacional, norma ratificada e exigida pelo Congresso Nacional para garantir a atualização salarial de docentes, técnicos-administrativos e bolsistas frente à inflação, além da manutenção operacional das instituições de ensino superior. Ao mesmo tempo, intensifica-se a criminalização do protesto social e a perseguição à comunidade acadêmica e estudantil que exige o cumprimento efetivo da referida lei. Sem desenvolvimento científico soberano, sem tecnologia, sem educação pública e sem profissionais de excelência, não há possibilidades reais de consolidar um país com equidade, autonomia e justiça social.

No contexto do Brasil, os ataques à universidade pública como espaço produtor de ciência, tecnologia e saberes críticos adquirem uma gravidade alarmante. Essa ofensiva se inscreve em um processo histórico recente de asfixia financeira, evidenciado no período 2019-2022 com cortes orçamentários que chegaram a reduzir em mais de 30% os recursos discricionários para despesas de custeio e pesquisa nas universidades federais, somados à paralisação de editais de agências de fomento como a CAPES e o CNPq. Essa vulnerabilidade se reacende por meio de propostas legislativas voltadas a fragmentar a autonomia universitária — como a iniciativa de transferir a gestão das instituições de ensino superior do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência e Tecnologia —, bem como por meio da violência física e patrimonial direta. Casos como os incêndios criminosos registrados em dependências das universidades federais de Pernambuco (UFPE) e de Campina Grande (UFCG), incentivados e celebrados por setores da extrema-direita nas redes sociais, refletem um clima de hostilidade sistemática contra a comunidade acadêmica. Essa situação se torna ainda mais alarmante dado o peso político que essas bancadas conservadoras mantêm na Câmara dos Deputados e no Senado, somado às suas aspirações de retornar ao Poder Executivo Federal.

O Brasil não pode ser submetido a novos ciclos de asfixia da educação pública por meio de sucessivos cortes orçamentários e do desmantelamento de áreas do conhecimento arbitrariamente rotuladas como “inúteis” ou “irrelevantes”, em especial as Ciências Humanas, Sociais e as Artes, pilares insubstituíveis do pensamento crítico e da soberania regional.

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