{"id":4630,"date":"2019-02-08T14:56:46","date_gmt":"2019-02-08T14:56:46","guid":{"rendered":"http:\/\/grupomontevideo.org\/sitio\/?post_type=noticias&#038;p=4630"},"modified":"2022-06-22T16:42:30","modified_gmt":"2022-06-22T16:42:30","slug":"pesquisadores-analisam-efeitos-da-ritalina-sobre-o-cerebro-em-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/pesquisadores-analisam-efeitos-da-ritalina-sobre-o-cerebro-em-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Pesquisadores analisam efeitos da Ritalina sobre o c\u00e9rebro em desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Deficit<\/em>\u00a0de mem\u00f3ria, perdas de astr\u00f3citos e neur\u00f4nios e diminui\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de ATP, a moeda energ\u00e9tica das c\u00e9lulas, s\u00e3o alguns dos efeitos que o f\u00e1rmaco metilfenidato pode ter sobre o c\u00e9rebro em desenvolvimento, segundo estudo realizado em culturas de c\u00e9lulas e animais de laborat\u00f3rio por pesquisadores do Departamento de Bioqu\u00edmica da Universidade Federal de Rrio Grande do Sul (UFRGS). O objetivo do trabalho, que fez parte da tese de doutorado de\u00a0<a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4433095E0\">Felipe Schmitz<\/a>, foi entender como o tratamento cr\u00f4nico com a subst\u00e2ncia durante a inf\u00e2ncia pode afetar par\u00e2metros neuroqu\u00edmicos e comportamentais em longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais conhecido pelo nome comercial Ritalina, o metilfenidato \u00e9 um medicamento estimulante do sistema nervoso central indicado para o tratamento do Transtorno do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o com Hiperatividade (TDAH) e da narcolepsia. Nos \u00faltimos anos, contudo, seu uso indiscriminado \u2013 seja pelo diagn\u00f3stico inadequado de TDAH, por sua utiliza\u00e7\u00e3o por pessoas sem o transtorno que buscam se manter acordadas e focadas para um melhor desempenho no estudo ou no trabalho ou mesmo como droga recreativa \u2013 tem preocupado cientistas e profissionais da sa\u00fade em todo o mundo. Apesar de seu consumo crescente tanto entre crian\u00e7as e adolescentes como em adultos (no Brasil, o aumento foi de 775% entre 2003 e 2012, de acordo com estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro), pouco se sabe ainda sobre seus mecanismos de atua\u00e7\u00e3o e suas consequ\u00eancias em longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Embora seja usada desde a d\u00e9cada de 60, ainda n\u00e3o se conhecem os mecanismos celulares dessa subst\u00e2ncia. E como ela tem efeitos muito semelhantes aos das anfetaminas, os pesquisadores est\u00e3o bem preocupados com as consequ\u00eancias, com os efeitos de se utilizar a subst\u00e2ncia durante um longo per\u00edodo, especialmente quando os pacientes ainda s\u00e3o muito jovens, como \u00e9 o caso de crian\u00e7as, que s\u00e3o o principal p\u00fablico-alvo para o qual ela \u00e9 prescrita<\/em>\u201d, comenta Felipe. \u201c<em>Antes, a medica\u00e7\u00e3o era indicada para crian\u00e7as um pouquinho mais velhas. E cada vez est\u00e1 sendo administrada mais cedo. Depois que a crian\u00e7a nasce, ela tem um per\u00edodo grande de neurodesenvolvimento, e essa medica\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo administrada nesse per\u00edodo de desenvolvimento do sistema nervoso central<\/em>\u201d, explica\u00a0<a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4720526A5\">Angela Wyse<\/a>, professora do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Bioqu\u00edmica da UFRGS e orientadora do trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores alertam tamb\u00e9m para a possibilidade de diagn\u00f3sticos errados de TDAH. \u00a0Como n\u00e3o existe um marcador cl\u00ednico para o transtorno, o diagn\u00f3stico depende de uma an\u00e1lise comportamental, e, por vezes, a agita\u00e7\u00e3o natural da crian\u00e7a pode ser confundida com os sintomas do TDAH. \u201c<em>O Manual Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico de Transtornos Mentais estabelece os crit\u00e9rios que devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o para diagnosticar ou n\u00e3o a crian\u00e7a com TDAH. Mas, o que a gente v\u00ea na pr\u00e1tica \u00e9 que aqueles crit\u00e9rios muitas vezes n\u00e3o est\u00e3o sendo levados em considera\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica, no dia a dia, nos laborat\u00f3rios dos m\u00e9dicos<\/em>\u201d, relata Felipe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para mimetizar a situa\u00e7\u00e3o do uso cr\u00f4nico ao longo da inf\u00e2ncia, os pesquisadores injetaram o metilfenidato em ratos do 15\u00ba ao 45\u00ba dia de vida dos animais. Esse per\u00edodo equivaleria, em termos humanos, a crian\u00e7as que come\u00e7assem a tomar o f\u00e1rmaco no in\u00edcio da inf\u00e2ncia, entre 4 e 7 anos, e seguissem com a medica\u00e7\u00e3o at\u00e9 o final da adolesc\u00eancia ou in\u00edcio da vida adulta. Como a ideia n\u00e3o era analisar sua efic\u00e1cia no tratamento de TDAH ou outra enfermidade, mas investigar os efeitos provenientes de seu uso indevido, em crian\u00e7as sem d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o com hiperatividade, os cientistas optaram por n\u00e3o simular o transtorno nos ratos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observou-se que, na idade adulta, esses animais apresentaram altera\u00e7\u00f5es em alguns aspectos importantes, incluindo aumento de par\u00e2metros inflamat\u00f3rios, altera\u00e7\u00f5es de estresse oxidativo e no perfil de amino\u00e1cidos e diminui\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis de ATP, mol\u00e9cula conhecida como a moeda energ\u00e9tica das c\u00e9lulas, respons\u00e1vel por armazenar energia para suas atividades b\u00e1sicas. Tamb\u00e9m houve perda de astr\u00f3citos e neur\u00f4nios no hipocampo, estrutura cerebral que, al\u00e9m de importante componente do sistema l\u00edmbico (unidade respons\u00e1vel por emo\u00e7\u00f5es e comportamentos sociais), exerce um papel fundamental no armazenamento de mem\u00f3rias de curto e longo prazo e na mem\u00f3ria espacial (aquela que permite que voc\u00ea se localize no espa\u00e7o, que identifique onde est\u00e1 um objeto ou que reconhe\u00e7a o caminho de casa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mem\u00f3ria dos animais tratados com o metilfenidato, ali\u00e1s, tamb\u00e9m foi afetada. Comparando ao grupo-controle, eles tiveram pior desempenho nos testes de mem\u00f3ria espacial (quando colocados em um labirinto aqu\u00e1tico, perderam os pontos de refer\u00eancia e levaram mais tempo para encontrar a plataforma) e de reconhecimento de objetos (os ratos t\u00eam uma prefer\u00eancia inata por novidades, portanto, tendem a passar menos tempo explorando objetos que lembrem de j\u00e1 ter visto antes). Casos extremos de\u00a0<em>deficit<\/em>nesses tipos de mem\u00f3rias s\u00e3o os das pessoas com Alzheimer que perdem a capacidade de reconhecer entes queridos e esquecem onde est\u00e3o. \u201c<em>Est\u00e1 havendo altera\u00e7\u00e3o bioqu\u00edmica no hipocampo e altera\u00e7\u00e3o comportamental que envolve essa estrutura cerebral. E essa estrutura cerebral \u00e9 muito importante tamb\u00e9m para a forma\u00e7\u00e3o de novos neur\u00f4nios<\/em>\u201d, afirma Angela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tratamento com o metilfenidato afetou, ainda, o sistema dopamin\u00e9rgico \u2013 locais de a\u00e7\u00e3o, vias e respostas que envolvem a dopamina, um neurotransmissor que desempenha uma s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es importantes no corpo, incluindo o controle de movimentos, a mem\u00f3ria e a sensa\u00e7\u00e3o de prazer e bem-estar. Alimentos saborosos, sexo, jogos e drogas s\u00e3o algumas das situa\u00e7\u00f5es que estimulam a a\u00e7\u00e3o da dopamina. Sua desregula\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada a transtornos neuropsiqui\u00e1tricos como Mal de Parkinson e esquizofrenia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme explica a professora, existe um equil\u00edbrio delicado entre os v\u00e1rios neurotransmissores em nosso c\u00e9rebro, e qualquer modifica\u00e7\u00e3o nesse balan\u00e7o pode levar a danos em outras estruturas. \u201c<em>O metilfenidato \u00e9 uma anfetamina, \u00e9 um psicof\u00e1rmaco, ele mexe com um neurotransmissor, mexe com a dopamina. A coca\u00edna tamb\u00e9m mexe com a dopamina. L\u00f3gico que tem um efeito muito mais devastador, mas ela destr\u00f3i neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos, e a\u00ed o indiv\u00edduo fica viciado naquilo ali. Por isso que a droga tamb\u00e9m pode viciar, porque ela tamb\u00e9m vai liberar dopamina<\/em>\u201d, alerta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os testes com culturas de c\u00e9lulas, por sua vez, foram realizados nos Estados Unidos, durante o doutorado-sandu\u00edche de Felipe na Universidade de Nova York, sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor\u00a0<a href=\"https:\/\/med.nyu.edu\/faculty\/moses-v-chao\">Moses V. Chao<\/a>. A pesquisa foi feita com um grupo de c\u00e9lulas chamadas PC12, escolhidas devido \u00e0 sua semelhan\u00e7a com a estrutura dos neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos. \u201c<em>A gente tratou essas c\u00e9lulas com o metilfenidato e avaliou uma s\u00e9rie de prote\u00ednas que s\u00e3o importantes para a mem\u00f3ria e para a sinaliza\u00e7\u00e3o celular, que regula a morte e a sobreviv\u00eancia dessas c\u00e9lulas. N\u00f3s vimos que, de fato, uma s\u00e9rie dessas prote\u00ednas, desses fatores que s\u00e3o muito importantes, foram afetados pelo tratamento com metilfenidato de diferentes modos<\/em>\u201d, explica. Entre os principais aspectos observados, est\u00e1 a altera\u00e7\u00e3o em uma prote\u00edna chamada mTOR, que desempenha um papel relevante na produ\u00e7\u00e3o de novas prote\u00ednas. \u201c<em>Quanto tu envolves mem\u00f3ria, tu tamb\u00e9m tens s\u00edntese proteica. Quando a gente faz novas mem\u00f3rias, a gente precisa aumentar a s\u00edntese proteica. E a gente viu que ocorre esse\u00a0deficit\u00a0da mTOR, que \u00e9 uma prote\u00edna importante para iniciar o processo de s\u00edntese proteica. Ent\u00e3o, indiretamente se viu que parece que h\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o de s\u00edntese proteica. Por isso, a gente tamb\u00e9m quer ver se isso acontece a n\u00edvel muscular<\/em>\u201d, relata Angela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados da pesquisa demonstram a complexidade dos efeitos da exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica precoce ao metilfenidato e fornece novas bases para a compreens\u00e3o das consequ\u00eancias neuroqu\u00edmicas e comportamentais e dos mecanismos associados ao tratamento com o f\u00e1rmaco. \u00c9 importante ressaltar, contudo, que o estudo n\u00e3o envolveu an\u00e1lises sobre a efic\u00e1cia do medicamento ou seus efeitos em quem possui TDAH ou outra enfermidade.\u00a0 \u201c<em>N\u00f3s n\u00e3o sabemos o que aconteceria se aquele animal estivesse submetido a um\u00a0deficit\u00a0de aten\u00e7\u00e3o, se ter\u00edamos o mesmo resultado que observamos aqui<\/em>\u201d, enfatiza a pesquisadora. Ela destaca ainda que o metilfenidato \u00e9, atualmente, o melhor tratamento para os sintomas de TDAH e para a narcolepsia. Nesses casos, portanto, os benef\u00edcios superariam os efeitos colaterais. \u201c<em>A crian\u00e7a que tem\u00a0deficit\u00a0de aten\u00e7\u00e3o realmente tem que receber a medica\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 quando a crian\u00e7a n\u00e3o tem\u00a0deficit\u00a0de aten\u00e7\u00e3o e recebe o medicamento<\/em>\u201d, reitera, alertando para a import\u00e2ncia de um trabalho interdisciplinar para o diagn\u00f3stico do TDAH e de se testar outros tipos de terapias antes da op\u00e7\u00e3o pelo tratamento medicamentoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pr\u00f3ximos projetos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seus pr\u00f3ximos trabalhos, os pesquisadores pretendem testar as consequ\u00eancias do consumo intermitente do metilfenidato em ratos adultos. A ideia \u00e9 simular o uso espor\u00e1dico como droga recreativa ou por estudantes que tomam o medicamento em per\u00edodos de provas, por exemplo. Tamb\u00e9m, baseados em estudos do grupo deles e de outros, que indicam que o f\u00e1rmaco compromete a s\u00edntese de prote\u00ednas e o estresse oxidativo no cora\u00e7\u00e3o e de que pessoas que o consomem podem apresentar maior tend\u00eancia a desenvolver problemas card\u00edacos, pretendem analisar os efeitos do medicamento sobre os m\u00fasculos e o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Artigo cient\u00edfico<\/strong><\/p>\n<p>SCHMITZ, Felipe; CHAO, Moses V.; WYSE, Angela T.S..\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/30578823\">Methylphenidate alters Akt-mTOR signaling in rat pheochromocytoma cells<\/a>. International Journal of Developmental Neuroscience, 2018.<br \/>\n<strong>Tese<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo<\/strong>:<em>\u00a0<\/em>Efeitos do metilfenidato: uma abordagem experimental<br \/>\n<strong>Autor<\/strong>:<em>\u00a0<\/em><u><a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4433095E0\">Felipe Schmitz<\/a><\/u><em><br \/>\n<\/em><strong>Orientadora<\/strong>:\u00a0<a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4720526A5\">Angela Wyse<\/a><br \/>\n<strong>Unidade<\/strong>:\u00a0Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas: Bioqu\u00edmica<br \/>\n<strong>Fonte:<\/strong><br \/>\n<em>Texto:\u00a0Camila Raposo\/UFRGS<\/em><br \/>\n<em>Foto:\u00a0Christian Schnettelker\/Flickr<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Testes com ratos demonstram que o metilfenidato pode par\u00e2metros neuroqu\u00edmicos e comportamentais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4629,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-4630","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-archivo-de-noticias"],"wpmagazine_modules_lite_featured_media_urls":{"thumbnail":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ritalina.jpg",150,100,false],"cvmm-medium":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ritalina.jpg",300,200,false],"cvmm-medium-plus":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ritalina.jpg",305,203,false],"cvmm-portrait":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ritalina.jpg",400,267,false],"cvmm-medium-square":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ritalina.jpg",600,400,false],"cvmm-large":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ritalina.jpg",720,480,false],"cvmm-small":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ritalina.jpg",130,87,false],"full":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ritalina.jpg",720,480,false]},"categories_names":{"48":{"name":"Archivo de noticias","link":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/category\/archivo-de-noticias\/"}},"tags_names":[],"comments_number":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4630","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4630"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4630\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15871,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4630\/revisions\/15871"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4629"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4630"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}