{"id":4594,"date":"2019-02-01T13:28:41","date_gmt":"2019-02-01T13:28:41","guid":{"rendered":"http:\/\/grupomontevideo.org\/sitio\/?post_type=noticias&#038;p=4594"},"modified":"2022-06-22T16:42:32","modified_gmt":"2022-06-22T16:42:32","slug":"ufsc-tem-primeiro-grupo-de-pesquisa-do-brasil-criado-por-estudantes-trans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/ufsc-tem-primeiro-grupo-de-pesquisa-do-brasil-criado-por-estudantes-trans\/","title":{"rendered":"UFSC tem primeiro grupo de pesquisa do Brasil criado por estudantes trans"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos ap\u00f3s concluir sua gradua\u00e7\u00e3o, Juno Nedel retornou a universidade para\u00a0ingressar na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e se tornar, assim, o primeiro\u00a0estudante trans no\u00a0<a href=\"http:\/\/ppghistoria.ufsc.br\/\">mestrado\u00a0em Hist\u00f3ria da UFSC<\/a>. A recep\u00e7\u00e3o da academia \u00e0 sua nova identidade foi o principal motivo que o manteve longe dos estudos por tanto tempo. \u201c<em>Os professores n\u00e3o sabiam lidar com a minha transi\u00e7\u00e3o, que foi bem no meio da gradua\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d, comenta Juno que\u00a0ainda n\u00e3o sabia como se apresentar, apenas n\u00e3o se identificava com a identidade cis g\u00eanero heterossexual. Cis g\u00eanero diz respeito \u00e0s pessoas que se identificam com o mesmo g\u00eanero com o que lhes foi designado no registro social logo ap\u00f3s o nascimento; e heterossexual refere-se \u00e0 identidade sexual cuja atra\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 direcionada ao sexo oposto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, Juno se reconhece como n\u00e3o-bin\u00e1rio \u2014 termo utilizado para identidades de g\u00eanero que n\u00e3o s\u00e3o exclusivamente femininas ou masculinas \u2014 transmasculino e apesar de ter sido o primeiro aluno trans do mestrado na Hist\u00f3ria, n\u00e3o foi o \u00fanico da UFSC a chegar na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Com o crescimento do n\u00famero de pesquisadores surgiu a possibilidade de construir um grupo de resist\u00eancia trans no espa\u00e7o acad\u00eamico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criado pela doutoranda Gabriela da Silva e pela mestranda Maria Zanella em maio de 2018, o\u00a0N\u00facleo de Pesquisas e Estudos de Travestilidades \u2013 Transexualidades \u2013 Transgeneridades (<a href=\"https:\/\/pt-br.facebook.com\/netransufsc\/\">NeTrans<\/a>) da UFSC\u00a0\u00e9 o primeiro grupo de pesquisa universit\u00e1ria do Brasil criado por pessoas que se reconhecem como transg\u00eanero. Desde ent\u00e3o, tem reunido pesquisadores com o intuito de produzir estudos sobre g\u00eanero e transgeneridade. A uni\u00e3o desta comunidade na Universidade funciona tamb\u00e9m como uma estrat\u00e9gia para reconhecimento no espa\u00e7o acad\u00eamico. \u201c<em>A partir do momento que existimos aos olhos da academia, geramos uma demanda<\/em>\u201d, observa Gabriela que foi, tamb\u00e9m, a primeira pessoa trans do doutorado em Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gabriela \u00e9 professora da rede p\u00fablica de ensino h\u00e1 30 anos, mas s\u00f3 teve sua identidade oficialmente reconhecida onde trabalha a partir de 2018. At\u00e9 ent\u00e3o, a professora dependia apenas do uso do nome social no cotidiano. O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2015-2018\/2016\/Decreto\/D8727.htm\">nome social<\/a>\u00a0foi institu\u00eddo em 2016, como reconhecimento da identidade de g\u00eanero e permite aos cidad\u00e3os o reconhecimento da utiliza\u00e7\u00e3o de\u00a0um nome diferente ao que foi registrado no nascimento.\u00a0Essa medida foi criada para reparar a falta de legisla\u00e7\u00e3o\u00a0para reconhecimento da identidade de g\u00eanero de pessoas trans. Desde 2016, a inclus\u00e3o do nome social e o reconhecimento de g\u00eanero pode ser requerida para documentos oficiais e registros dos sistemas de informa\u00e7\u00f5es da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>J\u00e1 ouvi diversos coment\u00e1rios preconceituosos na escola, n\u00e3o dos alunos, mas dos meus pr\u00f3prios colegas de trabalho<\/em>\u201d, relata Gabriela que trabalha com a educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos, o EJA. A discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia cotidiana \u00e9 respons\u00e1vel tamb\u00e9m pela alta taxa de evas\u00e3o escolar de pessoas trans, onde cerca de 82% n\u00e3o concluem seus estudos, segundo pesquisa do defensor p\u00fablico Jo\u00e3o Paulo Carvalho Dias, presidente da Comiss\u00e3o de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil e membro conselheiro do Conselho Municipal de LGBT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00famero de pesquisadores e pesquisadoras transg\u00eaneros \u00e9 menor que o de pesquisadores cis, mas essa taxa aumenta quando se procura por pessoas trans negras. Feibriss \u00e9\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pget.ufsc.br\/\">doutoranda em Tradu\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0na UFSC e se\u00a0autodenomina como \u201c<em>bixa preta transviada<\/em>\u201d, ressaltando\u00a0a identifica\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a enquanto afirma sua identidade. Dentro de sua pesquisa de tradu\u00e7\u00e3o, Feibriss busca dar visibilidade \u00e0 bibliografia de pesquisadoras trans e negras e levantar a discuss\u00e3o de etnia dentro desses trabalhos: \u201c<em>Participar do NeTrans e produzir pesquisa \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de reivindicar esse espa\u00e7o para pessoas trans e negras\u00bb.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu segundo ano de atividade, o N\u00facleo possui projetos envolvendo toda a comunidade acad\u00eamica. Desde a produ\u00e7\u00e3o de revista e cartilhas sobre a popula\u00e7\u00e3o trans, como tamb\u00e9m um semin\u00e1rio para exposi\u00e7\u00e3o das pesquisas que v\u00eam sendo realizadas sob o nome do grupo e a cria\u00e7\u00e3o de edital para a publica\u00e7\u00e3o de um livro, al\u00e9m de reunir mais alunos ao N\u00facleo. At\u00e9 ent\u00e3o, a professora Olga Zigelli Garcia, mulher cis, do\u00a0<a href=\"http:\/\/enfermagem.ufsc.br\/\">curso de Enfermagem da UFSC\u00a0<\/a>tem sido a l\u00edder do N\u00facleo, enquanto a professora Gabriela conclui o doutorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia da Visibilidade Trans<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dia 29 de janeiro \u00e9 o Dia Nacional da Visibilidade Trans em homenagem \u00e0 primeira campanha nacional idealizada e organizada por pessoas trans para promover respeito e cidadania, que aconteceu em 2004. O dia tem sido lembrado desde ent\u00e3o como uma data especial para levantar as pautas da comunidade trans e discutir suas demandas dentro do Brasil, pa\u00eds que est\u00e1 em primeiro lugar no n\u00famero de mortes de pessoas transg\u00eaneras, segundo pesquisa da\u00a0<a href=\"http:\/\/transrespect.org\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/TvT-PS-Vol14-2016.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ONG Transgender Europe<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Coordenadoria de Diversidade Sexual e Enfrentamento da Viol\u00eancia de G\u00eanero (Cdgen)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o e o preconceito contra LGBTs, a UFSC conta com a\u00a0<a href=\"http:\/\/cdgen.saad.ufsc.br\/\">Coordenadoria de Diversidade Sexual e Enfrentamento da Viol\u00eancia de G\u00eanero (Cdgen)<\/a>\u00a0da\u00a0<a href=\"http:\/\/saad.ufsc.br\/\">Secretaria de A\u00e7\u00f5es Afirmativas (SAAD)<\/a>. A Coordenadoria promove eventos e abre discuss\u00f5es sobre as demandas da comunidade, al\u00e9m de campanhas junto \u00e0 SAAD em defesa da diversidade de g\u00eanero e ra\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Fonte:\u00a0<\/strong><br \/>\n<em>Texto:\u00a0Erick Souza \/ Estagi\u00e1rio de Jornalismo \/ Agecom \/ UFSC<\/em><br \/>\n<em>Foto:\u00a0<a class=\"_64-f\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/netransufsc\/\">NeTrans &#8211; UFSC\/CNPq\/Facebook<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O N\u00facleo NeTrans for criado en maio do 2018 por Gabriela da Silva e Maria Zanella <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4595,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-4594","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-archivo-de-noticias"],"wpmagazine_modules_lite_featured_media_urls":{"thumbnail":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ne-Trans-UFSC-Editada.jpg",150,88,false],"cvmm-medium":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ne-Trans-UFSC-Editada.jpg",300,175,false],"cvmm-medium-plus":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ne-Trans-UFSC-Editada.jpg",305,178,false],"cvmm-portrait":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ne-Trans-UFSC-Editada.jpg",400,234,false],"cvmm-medium-square":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ne-Trans-UFSC-Editada.jpg",600,351,false],"cvmm-large":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ne-Trans-UFSC-Editada.jpg",708,414,false],"cvmm-small":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ne-Trans-UFSC-Editada.jpg",130,76,false],"full":["https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ne-Trans-UFSC-Editada.jpg",708,414,false]},"categories_names":{"48":{"name":"Archivo de noticias","link":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/category\/archivo-de-noticias\/"}},"tags_names":[],"comments_number":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4594"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4594\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15879,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4594\/revisions\/15879"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4595"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/grupomontevideo.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}